domingo, 4 de novembro de 2012

Dia de Finados


A morte física de alguém a quem amamos é sempre triste, porque significa que, durante um período de tempo, estaremos subtraídos da presença plena do ser amado que permite a livre troca de ideias,
emoções, carinhos... 
A presença tão ausente vai crescendo e compreendemos o verdadeiro significado de saudade. 
Sentimos o quanto amamos alguém a cada dia e sempre um pouco mais...
Tentamos preencher os vazios do presente com as recordações do passado. A princípio isso nos faz chorar,  nos aperta o peito com um nó, nos dilacera a alma! No entanto, o tempo vai passando e vamos conseguindo transformar a dor da saudade em saudade de amor. Chega um dia que sorrir das lembranças é até possível. "Como ele podia comer tanta jaca sem ter uma dor de barriga???". "Que mania dela de lavar as roupas, no tanque, só de avental!". "O cheirinho do talco que ela usava é inesquecível...". Detalhes peculiares que só são conhecidos pela intimidade dos que amam. Pequenos e grandes detalhes são refúgios acalentando distâncias. O tempo passa. Com certeza, é ele o nosso fiel aliado e o nosso melhor companheiro nos ajustes necessários às realidades de todos os que vivenciam perdas de entes queridos. Só o tempo é capaz de nos fazer compreender o quanto é preciso extravasar o amor para encontrarmos equilíbrio. Extravasar significa distribuir. redistribuir, oferecer, deixar fluir... 
Amor preso no peito por quem está ausente é energia aprisionada, é doença que cresce dentro da gente... Amar aos ausentes é dar mais aos presentes, acreditando que onde quer que estejam sentirão o nosso desejo de vê-los seguir os seus caminhos em paz... 
É no esforço de cada dia que surge o poder dessa nova e maravilhosa maneira de dizer eu te amo mais e mais e quero te ajudar a ser feliz... 
É na alegria de cada dia que é possível sentir o verdadeiro amor, o amor que nos desnuda de apelos e apegos pelo bem do outro, o amor que nos une e nos acompanha por toda a eternidade...
Aos meus queridos e eternos amores, aqui a gente vai levando da melhor maneira possível, desejando o mesmo para todos vocês...

(autora: Cris Lopes)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A educação brasileira está doente!




A educação brasileira está doente, que me desculpe o atual ministro da educação, Sr. Aloizio Mercadante e todos os seus antecessores. Quando li uma reportagem sobre as metas e problemas apontados pelo ministro e especialistas (Sr. Antônio Freitas, Sr. Roberto Salles, Sra. Priscila Cruz) me surpreendeu o fato de ninguém mencionar três questões prioritárias. E se ainda não foram identificadas, não podem ser solucionadas. Começo citando a necessidade de reformular o ensino para que seja inteligente, eficiente e prático. O aprendizado encerra basicamente conteúdos culturais e informativos. Cultura nunca é demais, pois enriquece o espírito e auxilia a vida. Já os programas dos conteúdos informativos são extensos e, em boa parte, inúteis. Assim, professores tentam “se virar” nos tempos de aulas para dar uma “quantidade” exorbitante de matéria que só vem aumentando, ao longo dos anos, enquanto os alunos precisam processar essa quantidade absurda com eficiência para serem "bem sucedidos" nos exames.
Diante do que é oferecido ao aluno como “ensino”, muitos desistem e ouso dizer que não são delinquentes, vagabundos ou preguiçosos. Desistem porque são inteligentes. Desistem porque sabem que para estudar tanta matéria haverá pouco tempo para VIVER. E que inteligência sacrifica a diversidade de possibilidades interessantes que a vida oferece para "aprender" tanta inutilidade? Há os que se cobram mais do que se permitem e se curvam, assumindo suas tarefas maçantes. O pouco tempo que lhes resta para outras atividades aliado ao estresse da cobrança lhes rouba a alegria. Isso é saudável? É urgente repensar esse modelo de ensino arcaico!
Há tantos ensinamentos interessantes que podem ser valorizados. Pode-se aprender sobre economia doméstica, mercado financeiro, culinária ou qualquer informação que favoreça ou auxilie de algum modo a vida das pessoas. Logaritmos, frequência de onda, tabela periódica e tantas outras aulas que deixam alunos “doidos” para depois serem esquecidas. Excepcionalmente, esses conteúdos complexos serão empregados pelos que fazem escolas superiores ou profissionalizantes. Portanto, são nesses patamares de formação que devem ser ensinados, porque serão aplicados e úteis. Para os outros, perder tanto tempo para aprender inutilidade é adoecer a inteligência! 
Será que as pessoas organizadoras do ensino brasileiro acreditam que quantidade produz genialidade? Ao contrário, percebo que quanto mais avalanches de conteúdos desnecessários são jogadas sobre os estudantes, menos eles demonstram interesse e prazer em aprender. Estudar se transformou num fardo, numa obrigação, numa decoreba gigantesca!
O acesso às universidades é o momento de clímax do stress. É quando se intensificam as queixas físicas e emocionais que acompanham todos os tipos de alunos- cefaléia, dorsalgia, insônia, gastralgia, taquicardia, diarréia, alterações do apetite, irritabilidade, angústia e muitas outras. Quanto a saúde do professor, posso garantir que há grande comprometimento da qualidade de vida do educador sob a análise de vários contextos. Como médica há 30 anos posso declarar que as causas predominantes das consultas dos professores, que buscam tratamento em meu consultório, são emocionais e revelam diferentes graus de comprometimentos da saúde, principalmente na esfera mental.
Pais, alunos e toda a comunidade escolar precisam se organizar e buscar lideranças representativas. É necessário que, através de projetos legitimados, esses problemas sejam colocados em pauta. O governo precisa repensar e criar comissões de revisão dos conteúdos programáticos do ensino brasileiro. Precisamos de novas diretrizes. para que o ensino seja inteligente e útil. A desvalorização de matérias interessantes como filosofia, sociologia e arte ainda é observada e pode ser constatada pela oferta de horários mínimos na grade escolar e pela contratação de professores sem a devida formação.
Há escolas com lideranças criativas que driblam os conteúdos informativos estabelecidos. Nelas, encontramos alunos que gostam de estudar, porque aprendem com prazer. Seus arsenais individuais, seus talentos e pensamentos são valorizados. Contudo, quando o processo escolar se aproxima das provas de acesso ao ensino superior, surge o problema de que essas propostas enriquecedoras e inteligentes não suprem a cobrança da matéria inútil que abunda e garante o acesso ao ensino superior através do vestibular. Ter prazer em estudar deve ser a regra e não a exceção. Ninguém deveria ser punido por vivenciar essa experiência com uma reprovação. Até quando seremos obrigados a alinhavar e remendar um modelo que não nos serve mais?
A outra grave questão, em minha opinião, está situada extra muro escolar e representa duas prioridades perturbadoras relacionadas às famílias brasileiras. A primeira delas é quem cuidará de seus filhos pequenos enquanto trabalham e a segunda é depois que seus filhos já são adolescentes, o que ficam fazendo enquanto seus pais cumprem suas jornadas de trabalho. É preciso que o Estado se atualize e se comprometa com a condição atual da sociedade que projeta a mulher no mercado de trabalho e que, muitas vezes, faz dela a única responsável pelo provimento familiar. É possível solucionar essas questões com a implantação de creches, de escolas públicas integrais. Falta verba para isso? Que seja criado um imposto participativo da reforma educacional, aplicável conforme o ganho de capital anual de cada empresa que lucra com o Brasil, afinal uma boa educação é o que há de melhor em termos de investimento para o futuro.
Finalmente, saliento que acredito na necessidade de que a educação seja compreendida como meio capaz de estimular as potencialidades individuais criativas, de promover o exercício da cidadania nas suas diversas esferas (políticas, econômicas, sociais, ambientalistas) e de propiciar a realização de práticas esportivas, permitindo o seu desenvolvimento até mesmo à condição profissional. É preciso reformular o aproveitamento do tempo escolar entre “conteúdos”, realização de tarefas escolares, atividades físicas e participação de oficinas conforme aptidões-oficinas de teatro, música, canto, culinária, artesanato, artes plásticas. As oficinas podem se gerenciar através da venda de seus “produtos” (ex: ingressos, feirinhas) e assim, ampliar os horizontes de novas diversidades. Parece fácil. E por quais razões não é? É preciso tanta coisa possível, no entanto falta...
(autora: Cris Lopes)

Rivotril: o medicamento “da hora”.

No passado recente a Fluoxetina era o medicamento que habitava o bolso e a bolsa das pessoas. Na primeira consulta de avaliação era frequente encontrar quem fazia uso de Fluoxetina. Parecia uma febre: Fluoxetina para auxiliar na dieta, para Síndrome do Pânico, para fibromialgia e para tantas outras condições. Atualmente, a bola da vez é o Rivotril. Com certeza, no futuro, não muito longínquo, outro medicamento surgirá como o “da hora”. Infelizmente, esse fenômeno decorre de uma contemporânea maneira de interpretação do adoecer e que envolve o indivíduo e a sociedade na qual ele está inserido. É preciso uma reflexão prévia sobre determinados focos para uma análise da questão em sua totalidade. Inicialmente, saliento o fato de que não há saúde sem respiração saudável. A sociedade está com a respiração superficial, curta, apressada... É preciso respirar com calma, profundamente, pausadamente, porque é a partir desse respirar com tranquilidade que alongamos nossos músculos, que aliviamos nossas tensões e dores, que garantimos a oxigenação adequada para todos os nossos tecidos e órgãos, que entramos em contato com nós mesmos, que descobrimos a importância de aprender a relaxar, de encontrar tempo para, no silêncio, nos conhecermos e entendermos as nossas verdadeiras necessidades e nos harmonizarmos. No entanto, a nossa construção social exige pressa, nos atira sobrecargas desnecessárias e demandas absurdas desde a infância até a velhice. Somos neuroticamente acelerados, apressados. Lembram do coelho da “Alice no País das Maravilhas”? E para que? Por quê? Para chegar onde? Depois de massificados, explorados, consumidos, somos, finalmente, descartados. E sabe o que é o pior? São nossas as cabeças que estão no comando desse processo. Será que existe algo mais poderoso para a saúde do que pensar com calma, pensar bem e “positivamente”? Há pessoas que nascem privilegiadas: naturalmente conseguem sorrir com facilidade, encarar a vida como excelente oportunidade de aprendizado, superar obstáculos e têm uma capacidade fantástica de recuperação após as “cacetadas” que, sem exceção, todos nós recebemos! No entanto, o que resta aos mortais que não absorvem o mundo com tanta facilidade? A contemporaneidade exige pressa e, assim, predispõe a uma urgência de eliminar tudo aquilo que necessita de mais paciência, de mais tranquilidade para que consiga ser resolvido. As prioridades são tantas e o tempo é curto. O melhor é um jeito mais prático e rápido para sanar tudo! Será? Com exceção dos traumatismos, a grande maioria das doenças são reflexos visíveis de um adoecimento invisível. Doenças são gritos de socorro lançados para fora pelo que nos garante a vida: a nossa energia vital. Quando a nossa energia vital se desarmoniza, se instala a doença. Cada órgão se relaciona a uma emoção, a uma forma de absorver as experiências que vivenciamos, e tudo depende de características individuais que são envolvidas pela herança genética, pela história de nossa construção afetiva e por algo que transcende explicações tão objetivas e que podemos chamar de essência. Há alguns anos atrás a corrente da racionalidade predominante era a do determinismo social, ou seja, a de que o meio determina o homem. Simples assim? A psiquiatria atual admite que existe algo peculiar, algo próprio do indivíduo que predomina sobre os demais fatores e que, na verdade, será o principal determinante de suas ações e de como ele vai interagir com o meio. Claro que as condições do meio influenciam, facilitando ou dificultando a vida das pessoas, contudo elas não são capazes de determinar como será alguém. Se fosse simples assim não haveria bandidos nascidos e criados no seio de boas famílias nem vice-versa. A essência individual é o que realmente determina como vamos ser e o que vamos desejar em nossas vidas. A questão principal é que se você não é uma dessas pessoas que chega ao mundo com uma essência positiva, o que fazer? Será que você está fadada a viver envolta pelo negativo? É essa sua sina? Será, com toda certeza, se é nisso que você acredita. De volta ao pensamento! Podemos rodopiar, girar, saltar, mas lá está sempre ele, diante de nós, pulando de um espelho, como o coelho do mágico salta de sua cartola (e esse definitivamente não é o coelho da Alice) a gritar num “insight” o momento do seu “xeque-mate”, o fim em si mesmo: hei, “Você é aquilo o que pensa!” Existe algo mais clichê? Abri o Google com essa frase hoje e encontrei aproximadamente 3.940.000 resultados. Agora, quer saber? Além de ser clichê, existem muitos cientistas pesquisando isso no mundo inteiro em diversas áreas: neurociência, neurofísica, neuropsiquiatria, medicina nuclear,etc. Li essa semana na internet: “Muitas pesquisas sobre mente e corpo, realizadas por cientistas da Harvard Universisty e o Instituto de Mente e Corpo com a liderança de Dr. Herbert Benson, médico e pesquisador da Harvard Medical School, provaram que a mente influencia em linha direta o corpo, e que os pensamentos tanto adoecem como curam. Não precisa ir nem tão longe; aqui mesmo, no Brasil, existem vários cientistas estudando diversos assuntos que envolvem a importância do pensamento para a vida. Essa verdade pode parecer redundante, mas estamos falando de aferições científicas, cujos resultados endossam a visão interna dos antigos, gerando credibilidade nos meios mais "céticos" e empíricos.” Então, se você faz parte dos “desfavorecidos em positivismo mental” acredite que a sua sina pode mudar. Não vou dizer como, nem apresentar fórmulas prontas, porque cada pessoa é um universo próprio, com necessidades e soluções individuais. Entretanto, a partir da minha experiência profissional como médica holística há 30 anos, posso repetir que é preciso respirar com calma, encontrar tempo para você silenciar, mergulhar e descobrir quais são as suas verdadeiras necessidades. O que deixa você alegre, feliz? Felicidade e saúde são conceitos que se fundem. A partir dessa compreensão, faça a lista de metas e mudanças a serem alcançadas na sua vida para você se sentir melhor e mais saudável. Você vai precisar apenas de disciplina e mãos à obra! Faxinas e arrumações dão trabalho, mas depois o conforto será todo seu!
(autora: Cris Lopes)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Ética nos relacionamentos


Encontrar tempo para as coisas que nos dá prazer é saudável. Existem muitas maneiras de se obter prazer: viajar, ler um bom livro, visitar um amigo, escutar uma música, dançar, participar de um papo cabeça. Quanto ao prazer sexual ou amor eros, acredito que quando se fala de relacionamento, nada precisa ser torto- basta que as pessoas sejam honestas umas com as outras e digam qual é a proposta do relacionamento que desejam viver. Tudo é uma questão de acordo- a ética, o respeito, a cumplicidade estão muito mais presentes nisso (conversar e acordar)do que em qualquer modelo pré-estabelecido. Há quem prefira uma relação aberta (ótimo se for bom assim para os dois) e há quem objetiva uma relação com fidelidade (ótimo se for bom assim para os dois). Infelizmente, as pessoas geralmente são egoístas e imediatistas. O importante é conquistar o objeto de prazer seja como for. Mentem, iludem para conseguir o que desejam. O torto consiste na falta de honestidade, de caráter, de integridade quando as pessoas distorcem, camuflam o que realmente desejam e, assim, impedem que as outras façam, de fato, suas escolhas (opções verdadeiras). Quem não têm maturidade para expor o que realmente deseja, impõe ao parceiro(a) um(a) personagem, uma relação fraudulenta e, pior, desnecessária, porque existem milhares de pessoas no mundo, e entre elas haverá muitas que pensamcom harmonia. Quanto a música do Raul Seixas(A maça), lembrada por alguém no contexto da questão, só posso dizer que sempre existiram homens que gostam de ser cornos, os famosos cornos mansos, como também sempre existiram as mulheres que se fazem de cegas, surdas e mudas. No entanto, isso pode ter outra leitura e ser maravilhoso para um casal que se sinta feliz variando de parceiros. Como eu disse antes: é tudo uma questão de ACORDO.
(autora: Cris Lopes)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Tempestade


Sara sorri o rosto colado na janela de seu quarto. Absorta nas cores que acariciam o vidro, não percebe quando seus olhos deslizam pelos caminhos desenhados com os pincéis invisíveis. Rosa, azul, violeta predominam nas transparências das gotas vestidas de luz.
O tempo volta muitos anos a uma tempestade que rodopia intensa depois da insistência ardente do sol. O vento sacode folhas alvoroçadas até quase desnudar por completo as árvores. Ecoa a explosão do transformador e se instala um apagão na rua. Todos vão para a cama mais cedo. Parece que a ausência de testemunhas deixa o vento ainda mais ousado em seu despudor. Os trovões silenciam por segundos os gemidos, as palavras entrecortadas que chegam do fim do corredor. Sara negligencia a rotina de bater na porta do quarto dos pais para saber o que está acontecendo. Sensações instintivas a impedem. Impressiona-se com seu corpo: o coração acelerado pulsa em seus ouvidos atentos, os pequenos mamilos túrgidos salientam-se no plano relevo da parede torácica infantil, o cheiro úmido da terra e do mato invade suas narinas ofegantes e os galhos das árvores, em orgia, ameaçam quebrar as vidraças e penetrá-la por sob os lençóis brancos de algodão. Medo e prazer, morte e vida se mesclam pela primeira vez. A percepção dessa alquimia para Sara é a de total rendição à desenfreada força dinâmica que mexe, remexe com cada recôndito de seu corpo, enquanto sua mente parece desdobrada como se ela fosse uma voyeur de si mesma. A intimidade entre ela e a tempestade é de união plena. Desperta algo nunca percebido antes pela menina, e quando silencia já encontra Sara adormecida exausta...
(Cris Lopes)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Mensagem de Natal



Para você que no silêncio leu um bom livro, plantou lindas flores, desenhou, costurou, sonhou, se perfumou, dançou, cantarolou, beijou, fez carinho, transou, viajou- é preciso se divertir;

Para você que no silêncio chorou a perda, a saudade de alguém muito amado que escolheu ou precisou partir- é preciso dizer adeus;

Para você que no silêncio libertou gritos de stress, de raiva, de dor, de ciúmes e de tudo o mais que é tão difícil de engolir- é preciso extravasar;

Para você que no silêncio se aquietou com o amor, o perdão, a generosidade e recuperou a paz perdida há muito tempo- é preciso meditar;

Para você que no silêncio, depois de ruminar dúvidas, conseguiu ouvir a voz do seu coração e decidiu qual seria o melhor caminho- é preciso seguir;

Para você que no silêncio se lançou em mergulhos profundos e descobriu um pouco mais desta misteriosa criatura que é você- é preciso coragem;

Para você que no silêncio conversou com seus medos, com suas culpas e preferiu deixar de ser vítima e ser responsável – é preciso crescer;

Para você que no silêncio aproveitou todos os momentos para planejar, calcular, esquematizar, economizar, multiplicar- é preciso relaxar;

Para você que no silêncio conversou com Deus e pediu, e agradeceu, e reclamou- é preciso acreditar;

Para você que conseguiu escrever mais um ano de acordes inspirados em pautas únicas, com pausas de lágrimas, suspiros, gemidos, gritos, sorrisos, gargalhadas;

Para você, grande compositor da sinfonia de sua vida, em adagios e allegros, um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo...

Porque sempre, no final, haverá música no ar...

(autora: Cris Lopes)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Contraponto


Na atualidade, nada parece mais “démodée” do que “te dou minha palavra” ou “te dou minha palavra de honra”. Ouço essas frases só nos filmes épicos. É algo tão antigo como telegrafar para se comunicar com alguém distante. No passado, quem empenhava a palavra assumia a responsabilidade pelo seu cumprimento, e só admitia-se “falhar” em caso de morte. No presente, o pessoal usa o “eu juro”, contudo quem decide acreditar ou não no juramento é a pessoa que assume os riscos; fácil demais para que jura...
A palavra de honra da pessoa trabalhadora, honesta e íntegra foi roubada. E quem é o ladrão da palavra? Não há um. Existem incontáveis ladrões. Estão toda hora na TV, nos jornais, no rádio, na internet. O pior é que ladrão sempre quer mais! Agora, além da palavra, estão querendo usurpar a atitude.
A boa e firme atitude está desaparecendo do mapa. Duvidam? Então, vou citar alguns exemplos que vão do bizarro ao trivial. Começo por um dos últimos escândalos na esfera política: o do Ministro do Trabalho. Têm foto, filmagem, passagem e testemunhos. Só faltou adicionar “ao vivo”, e eu, telespectadora do Jornal Nacional, assisto o espetáculo de mais um corrupto político, diante de provas incontestáveis, declarar mentiras desavergonhadas e fazer cena novelesca: “Qual é o nome mesmo? Ah, senhores, minha memória também falha!” Paulo Rocha que se cuide! Tão bizarro quanto o fato em si é não ver indignação na cara de ninguém. Parece que há um “buraco negro” capaz de sugar toda a verdade durante as falas de políticos corruptos e criar uma invisibilidade de provas. A cena, nada improvisada, se repete: o ministro faz de conta que não sabe quem é, faz de conta que se lembrou, faz de conta que conhece pouco... No mínimo, essas pessoas desconsideram o valor do tempo de todos à sua volta. Permitir um depoimento tão debochado faz parte de alguma investigação séria? Ou será que é assim mesmo: ele desmente a verdade esfregada, enxaguada e bem passada e os outros fingem que acreditam. Provas de atos desonestos praticados por corruptos são ridicularizadas ou ignoradas com despudor! Estamos vivendo a época da “banalização” de falcatruas políticas!
Permitam-me voltar um pouco no tempo. Lembram da última eleição para presidente? Quantas pessoas argumentaram que tinham medo de votar na Dilma pelo que ela “poderia fazer”? No entanto, Dilma Rousseff que teve um passado de militância e viveu nas terras gaúchas por muito tempo, onde a fibra está na história do povo, decide o que? No caso do nosso Ministro do Trabalho, a Exma. Sra. Presidenta conclui que vai aguardar mais um pouco, afinal, em breve, terá que anunciar mudanças em outros ministérios! Quanto ao PDT, apesar das denúncias, grande parte do partido apoia a permanência do ministro em seu cargo, inclusive o presidente do partido, deputado André Figueiredo. Que tal verificar quem do PDT se posicionou contra?
Então, vocês duvidam que estejam roubando a atitude?
Vamos partir para o trivial... Experimente ter uma atitude de indignação diante de uma injustiça, ou tente reivindicar por um direito seu de consumidor, ou reclame porque você não está sendo bem atendido, ou demonstre que você percebe que por detrás de uma atitude “aparentemente” inofensiva, a pessoa está objetivando prejudicar você e veja o que acontece. Pessoas com atitude são avaliadas como mal educadas, ou chatas, ou encrenqueiras. E não estou me referindo à atitudes desregradas e violentas. Estou falando sobre a atitude que é você dizer o que pensa e defender os seus direitos. Está sendo cultivada a “bobotização”. Ser educado é “ser bobo"; é assistir uma pessoa fazer algo que lesa, desrespeita você e “fingir” que não está percebendo. Você finge ser “bobo”, e permite que ela acredite ser esperta. Só que todo padrão de comportamento repetitivo acaba se enraizando, ou seja, depois de algum tempo, com certeza você “estará” bobo e ela “estará” esperta. É esse o comportamento que a mídia está cultivando ao longo dos anos. Gente que admiro defende isso com as mais belas desculpas: é preciso economizar tempo, estresse, viver com serenidade. Concordo, porém desde quando falar o que se pensa faz mal para saúde? O que faz mal é engolir “sapos”. Engolir “sapos” pode ser a causa de diversas dores, dá constipação, dá bolo na garganta, dá insônia... É lógico que você não vai perder seu tempo com algo sem importância ou com alguém que não faz a mínima diferença na sua vida, mas abrir mão do que é direito seu vai contribuir para o que ou para quem? Esta semana ouvi uma apresentadora falar a seguinte frase: “Eu quero é ser feliz, não me importa ter razão!” Eu discordo. Consigo sentir alegria com muitos acontecimentos no meu dia-a-dia. sem precisar me alienar para ser feliz. Quero é ser cada vez mais feliz, porque mais sensível , mais verdadeira, mais realizada eu sou! Não consigo compreender que alguém precise se anular ou mentir para ser feliz. Graças a Deus, meus neurônios funcionam muito bem, então, ofereço à pessoas “espertas” o que penso, sem perda de tempo e sem estresse, afinal a gente deve comprar nas lojas que nos atendem bem, deve frequentar lugares que nos causam bem estar, ter como amigos as pessoas que nos querem bem, namorar quem nos faz bem... Isto é básico ou não é?
Estimulada pela indignação que me causou os teatros apresentados pelo telejornal assistido nesses últimos dias, dedilho meu teclado, ainda dona da minha palavra e querem saber? Com muita alegria, porque escrever é vibrante tal como tomar banho de cachoeira- lava o corpo e perfuma a alma!

(autora: Cris Lopes)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Flores


(Andrade- Campo de flores)
Eu valorizo o que a vida me dá,e o que ela me subtrai, encaro como a devolução de um empréstimo! Seja como for, eu teimo em ser feliz! E o que as pessoas chamam de ser feliz por nada, na verdade, depois de se alcançar uma certa maturidade, a gente percebe que é ser feliz por tudo. Por tudo que existe de maravilhoso na nossa vida e, que muitas vezes, deixamos passar despercebido: a roseira que oferece,generosa,lindas flores; um beijo roubado num momento envergonhado; o sol que brilha logo cedinho; a amiga emprestando aquele gel ótimo para dor; o cheirinho de terra antes da chuva cair e assanhar as árvores; a filha que fala o quanto ama você; comer abacaxi quando está docinho ou limonada suiça com bastante gelo; dançar "aquela" música que nem doida...Eu podia enumerar tantas outras oportunidades que nossos sentidos nos presenteiam, no entanto, finalizo, dizendo só mais uma frase para vocês- é muito bom despertar!
(autora: Cris Lopes)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Água


Água,
Fluida escoa,
Transporta,
Umedece,
Penetra a terra,
Fecunda.
Floresce bosques,
Evapora;
Sobe e Desce;
Vira chuva,
Enriquece.
Envolve,
Protege.
A bolsa explode,
Anuncia a vida.
Oferece o peito.
Nutre.
Conduz pelo leito,
Rios,
Caminhos de filho.
Chora quem pode,
Quem tem água,
Quem tem vida!
Água recolhida:
Estertores,
Sibilos,
Asfixia.
A vida quando resseca,
Seca, a vida é morte!
É vaso vazio
De raiz enterrada,
Esquecida no tempo
Sem nada!
(autora: Cris Lopes)

domingo, 11 de setembro de 2011

Meu nome não é Madalena


Foto do acervo pessoal. Turquia.
A Teoria e a prática são complementares e ótimas aliadas, mas infelizmente, na grande maioria das vezes, não são bem aproveitadas. Racionalizar, questionar, pensar, refletir, duvidar são processos enriquecedores quando permitem mergulhar no nosso lado sombrio. Só através desse mergulho que adquirimos o conhecimento do “eu profundo” que habita em cada um de nós. E, que isento de hipocrisia, de máscaras, de ilusões, nos abre espaço para o amor. O amor mais importante de nossa vida que, se escolhido, nos acompanhará desinteressada e incondicionalmente, e que é o auto-amor. É ele que permite, ao colocar do avesso a nossa nudez, exibir-nos as vísceras de nossas entranhas mais escondidas. É ele que permite sermos generosos com nossa condição de pequenos aprendizes transcendentais e bondosos com nossos erros. E, assim, sem medos e sem culpas, nos acolhe, nos protege, nos acalenta e nos renova o desejo de sermos a melhor versão de nós mesmos. A perfeição dos outros, que ainda não cabe em mim, emociona-me, encanta-me e, com certeza, é fonte de estímulo e admiração. No entanto, quero estar ao meu lado no último suspiro desta minha existência...Quero ter a consciência plena de ter realizado na prática o que a minha inteligência foi capaz de teorizar, sem ter jogado no lixo, ou para debaixo do tapete, ou “quiçá” no terreno do vizinho nenhum tantinho, nenhum caquinho, nenhuma poeirinha de mim, porque tive a coragem de aprender com uma vida de verdade!!! Sei que se um dia representar só me convém o palco! Meu nome é Cristina e esta sou eu que conheço muito bem...
(autora: Cris Lopes)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Que país é esse?

O que eu estou pensando agora? Numa juíza que "realmente" fazia o trabalho dela e, por isso não foi só assassinada, foi "FUZILADA"; numa deputada federal sem escrúpulos que ganha o direito de permanecer no cargo pela votação da maioria dos seus "colegas", depois que seu advogado alega que se houver afastamento pelo que ela fez antes da posse , isso vai abrir um precedente para qualquer outro deputado ser investigado e punido.
Duas mulheres, com trajetórias de vida bem diferentes.Quem levou a melhor? O exemplo de uma me emociona, me dá orgulho de ser mulher, de ser uma pessoa ética, honesta, enquanto a outra me envergonha, no entanto as duas provocam-me revolta, revolta da impunidade.Impunidade para quem extermina o bem, impunidade para quem faz o mal... Sim, tenho vergonha nessas horas pelos outros. Tenho vergonha pelo jornalista que anuncia a votação da maioria desavergonhada e acaba a notícia dizendo: isso não quer dizer que ela não vá responder pelo que fez diante da justiça. Justiça comum? E, eu me pergunto, e daí? E DAÍ??? Como se isso pudesse apagar o fato de que a maioria presente numa votação dessa importância, eleita por nós para representar e defender "teoricamente" o nosso direito, faz isso!!! Sim, nessas horas sinto muita vergonha, vergonha de ser brasileira! Há uma música que fez parte da trilha sonora de novelas, e já virou tema da maioria dos políticos brasileiros: Nas favelas, no senado, sujeira pra todo lado. Ninguém respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação. Que país é esse? Que país é esse? Que país é esse?
Falando em constituição... Há alguns dias "crianças" foram presas roubando, destruindo, ameaçando funcionários de um hotel. Levadas para a delegacia, alegaram ter menos de 12 anos. Chamaram o Conselho Tutelar. No Conselho, quebraram, destruíram tudo de novo... De volta para a delegacia: desafiaram, provocaram os policiais."Estão protegidas porque são crianças!!!" Entra todo mundo para justificar o fato de uma "criança" ser transformada em "bandido". “Ops...Criança brinca!!!". Tenho uma opinião muito clara sobre isso: a sociedade não determina a índole, a essência de ninguém. Se fosse assim não existia doutor filho de bandido, nem bandido filho de doutor. Ela favorece ou desfavorece; facilita ou dificulta as circunstâncias, mas vou deixar o que penso a esse respeito de lado, porque isso dá um outro texto. Enquanto isso, quem paga a conta? Quem já paga tudo!!! Eu, você, nós que trabalhamos muito e deixamos ao menos 30 a 40% para o país sob a forma de impostos!!! Querem "curar" isso? Então, que criem megas estruturas nas capitais como centros de reabilitação para menores infratores. Sim, que sirvam de referência/ direcionamento para os estados. Por que não? Quantos estádios de futebol tem espalhados pelo Brasil? Centros que ofereçam formação educacional/ oficinas profissionalizantes; assistência psicológica/ médica/ odontológica; comida e atividades esportivas. Não há verba para tanto? Então, que façam parceria com grandes empresários através de incentivo fiscal, mas não! Vivemos de hipocrisia! E, somos obrigados a presenciar, engolir coisas absurdas o tempo todo!!! Falta liderança? Falta organização? Falta educação? Falta coragem? Falta vergonha na cara? Estou recordando outra música: "Inúteu"! A gente somos "inúteu"!"Inúteu"!A gente somos "inúteu"!
(autora: Cris Lopes)

sábado, 2 de julho de 2011

Imperfeita


Deus é perfeito; eu não sou. Ele sabe e eu também.
A imperfeição oferece liberdade ao exercício do meu ser e faz de mim uma criança.
Sorrio, desejo, embirro, zango, choro, danço, canto, acerto, erro e até falo sozinha...
Muitas vezes provoco desordem a casa com uma bagunça bendita que sacode a poeira e coloca para fora coisas escondidas.
Tem gente que se aproveita da confusão: acha, limpa, usa o que serve ou descarta, despacha o que não presta no lixo!
No entanto, tem gente que detesta bagunça. Pessoas assim não me querem de volta nem pulando amarelinha nos fundos do quintal do vizinho.
Preferem o tapete no lugar cheio de sujeira por debaixo; a cozinha limpinha com o fogão tampado e coberto pela toalhinha; a mesa de jantar vazia de pratos e copos degustados;
a cama de lençóis bem passados, esticados sem marcas de abraços.
Gente assim não gosta de criança levada que sabe brincar de verdade!
Prefere miniatura de adulto robotizado!
Cria uma expectativa de mesmice exagerada, como se alguma inovação, sopro de evolução ou alegria imensa pudesse sobrevir de algo que só é copiado infinitamente...
Confunde harmonia com monotonia; organização com inflexibilidade; omissão com boa educação, sossego com falta de criatividade!
E é por isso que sou inquieta, mutável, questionadora e sigo ao lado de crianças tão ou mais levadas do que eu pelo simples prazer,
Prazer de criar, inventar, descobrir, desmontar, destruir, perguntar, reconstruir e rir.
Se houver necessidade, discutimos, batemos bocas, ficamos suados, e até descabelados,
Mas acrescentamos daqui, subtraímos dali e o resultado final dá certo.
Eu e meus amigos somos todos diferentes,
E temos algo em comum: adoramos ser assim!
(autora: Cris Lopes)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Homem dormindo


Lembranças chuleiam as alegrias puídas do nosso amor.
Recordo a cama tão pequena, o quarto tão pequeno, o mundo tão pequeno.
Pernas e promessas entrelaçadas
À bendita desordem de nossas bocas e braços.
Ancas confrontadas,
Em gozos, confortadas...
E nós dinamizados, transbordantes,
Tão aliados e tão amantes,
Apostando em tudo,
Jurando verdades,
Mentiras distantes...

Ah, se algum vidente tivesse me avisado,
Como enganaria o tempo para perpetuar nossas entregas?
Talvez ousasse o meu sorriso mais bonito,
Despisse a minha roupa preferida
E fugisse acenando meus cabelos ao vento,
Sem volta,
Sem revolta,
Sem olhar para trás,
Solta,
Numa corrida enlouquecida.

Assim, como tudo o que vive por miúdo tempo,
Deixaria uma saudade imensa,
Desconfortante,
Movediça.
Desconcertante,
E jamais seria esquecida...
(autora: Cris Lopes)

sábado, 11 de junho de 2011

Avesso



Amanheço com sabor de menta e café;
Adormeço com cheiro de camomila e malva.
Há muito aprendi o prazer dos gostos simples,
A sedução dos cheiros naturais,
Degustar a vida em canecas fumegantes:
Cascas de laranjas, calda de ameixas, cravos e canela.
Acariciar a terra com olhares e dedos.
Plantar, replantar...
Debulhar segredos,
Dedilhar o sol pelas frestas da janela,
Descortinar cores e flores.
Saber do tempo que o ar anuncia,
Vibrante movimento,
Seguir como as velas,
Entregues ao vento...

Sorrisos e Portas.
Mãos e Camas.
Pernas e Fugas.

A beleza de flor
A rosa revela
Do avesso...

Já deixei roupas sem amasso,
Arranquei roupas ao acaso.
Vestida ou nua,
Amada ou amordaçada tantas vezes
Pelos egoístas e mentirosos em seus currais,
Sou eu, livre, que danço a música dos temporais.
Sou eu, sozinha, que rodopio com a chuva no quintal...
Trovões:
Saravada,
Sacudo maldições.
Sou eu que cuspo na cara do mal,
Vitória decretada!
Vivo minhas histórias,
Abandono o que não mereço.
Sem olhar para trás,
Despasso,
Despacho,
Desfaço
E do avesso, amanheço.
Amanheço do avesso:
Frases,
Faces,
Fases,
Sempre mulher
Sou eu...
(autora: Cris Lopes)

Ser Ator


(Passeio de Marc Chagall)

Se viver é amar,
Ser ator é ganhar vidas,
Vidas emprestadas,
Que desejam ser contadas;
Histórias veladas,
Reais ou inventadas,
Desnudadas mesclam
Mentiras e liras.

Ser ator é apropriar-se sem rodeios,
Improvisar ou seguir roteiros,
Sacudir, revelar, bagunçar
Emoções escondidas,
Guardadas, esquecidas...

Ser ator é dar vida
À vidas não escolhidas:
Vidas alegres,
Vidas doídas!

O talento, se verdadeiro,
O dom vibra,
Flui por fibra.
Requer coragem,
Sedução,
Memória,
Disciplina,
Malandragem...

Ser ator é se entregar por inteiro:
Possuído ou
Conquistado.
Ser herói ou bandido,
Amado ou traído,
Eternizado ou esquecido.
Pobre ou rico há de brilhar
E ser intenso- calmo ou tenso.
Provocar sorrisos ou prantos.
Iludir, seduzir com seus encantos.
E a magia,
A veia de representar é como a da vida:
Desponta,
Desaponta,
Transborda,
Transforma,
Sem limites, convida...
(autora: Cris Lopes)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Impactos


Vi um cachorro correndo.
Vi um cachorro correndo atrás de outro cachorro.
Vi um cachorro pequeno correndo.
Vi um cachorro grande correndo atrás de outro cachorro pequeno.
Vi um cachorro pequeno correndo e passando por debaixo de um banco.
Vi um cachorro grande correndo atrás de outro cachorro pequeno e não conseguindo passar por debaixo de um banco.
Vi um cachorro grande uivando de dor.
Vi um cachorro pequeno voltando.
Vi um cachorro pequeno voltando e lambendo as costas de um cachorro grande uivando de dor.
Coitado...

Vi três homens gargalhando.
Vi três homens gargalhando muito de um cachorro grande uivando de dor.

Vi um bicho que fugia de outro voltar para socorrê-lo...
Vi três animais gargalhando sobre duas patas...

Queria só ter visto os bichos...
(autora: Cris Lopes)

sábado, 30 de abril de 2011

A Carruagem do Viajante


(Príncipe de Paus- Tarô de Crowley)

Dizem por aí
Que amor é a chave da felicidade.
Tem gente que duvida.
Acredita que dinheiro
É o que dá alegria à vida.
Outros acrescentam que é a fé.
Ela sim faz a roda girar menos doída,
Mais colorida,
Mais bonita!

Quem escolhe sonhar?
Quem pode comprar?
Quem se lembra de rezar?

Vai, vai, vai,
Vai pra onde?

Dizem por aí
Que o povo do poder
Troca dignidade por oportunidade.
Maldade?
Quem rouba pela ganância,
Não teve mãe,
Perdeu a infância?
Vomita arrogância,
Queima,
Enterra jornalista!
Aparece em capa de revista
Chamado de bandido,
Vigarista!
Não tem problema:
Há de se eleger novamente.
Duvida?
Barriga vazia tem vista fraca,
A cabeça é oca, a memória falha!


Penso, logo existo.
Quem existe tem mente?
Quando mente, sente?
Quando sente, mente?

Vai, vai, vai,
Vai por quê?

Dizem por aí
Tanta coisa,
Que por aqui
Sempre acolhi a liberdade.
Quem me conhece, sabe.
Gosto de dizer o que penso,
Vibrar o que sinto,
Verter desejos.

Ah, o desejo...
O meu desejo,
O teu desejo,
O nosso desejo,
O desapego,
O que permanece,
Adormece...

Entre um prazer e outro,
Fui arrancando cascas,
Experimentando frutas.
Se gostava,
Chupava até o bagaço
E cuspia as sementes.
Assim, assim,
Cuspindo sementes,
Descobri
O que dá sabor,
O que dá cheiro
Às frutas que comia...

Dizem por aí
Que o “Segredo” é valioso.
Eu, por aqui, contemplo o desejo.
Interessam-me as diferenças,
No entanto,
Há algo único
Que antecede o desejo.
Aponta o caminho,
Escolhe o alvo.
E, tal como flecha,
Lança,
Impulsiona,
Atinge,
Fere,
Derruba,
Machuca...

Dizem por aí
Que existem homens estranhos.
Desprezam a própria conveniência.
Alguns acolhidos,
Escolhidos,
São chamados de santos;
Outros, ignorados,
Desprezados,
São recolhidos
Como loucos!

Tudo muito conveniente!
(autora: Cris Lopes)