quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Mensagem de Natal



Para você que no silêncio leu um bom livro, plantou lindas flores, desenhou, costurou, sonhou, se perfumou, dançou, cantarolou, beijou, fez carinho, transou, viajou- é preciso se divertir;

Para você que no silêncio chorou a perda, a saudade de alguém muito amado que escolheu ou precisou partir- é preciso dizer adeus;

Para você que no silêncio libertou gritos de stress, de raiva, de dor, de ciúmes e de tudo o mais que é tão difícil de engolir- é preciso extravasar;

Para você que no silêncio se aquietou com o amor, o perdão, a generosidade e recuperou a paz perdida há muito tempo- é preciso meditar;

Para você que no silêncio, depois de ruminar dúvidas, conseguiu ouvir a voz do seu coração e decidiu qual seria o melhor caminho- é preciso seguir;

Para você que no silêncio se lançou em mergulhos profundos e descobriu um pouco mais desta misteriosa criatura que é você- é preciso coragem;

Para você que no silêncio conversou com seus medos, com suas culpas e preferiu deixar de ser vítima e ser responsável – é preciso crescer;

Para você que no silêncio aproveitou todos os momentos para planejar, calcular, esquematizar, economizar, multiplicar- é preciso relaxar;

Para você que no silêncio conversou com Deus e pediu, e agradeceu, e reclamou- é preciso acreditar;

Para você que conseguiu escrever mais um ano de acordes inspirados em pautas únicas, com pausas de lágrimas, suspiros, gemidos, gritos, sorrisos, gargalhadas;

Para você, grande compositor da sinfonia de sua vida, em adagios e allegros, um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo...

Porque sempre, no final, haverá música no ar...

(autora: Cris Lopes)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Contraponto


Na atualidade, nada parece mais “démodée” do que “te dou minha palavra” ou “te dou minha palavra de honra”. Ouço essas frases só nos filmes épicos. É algo tão antigo como telegrafar para se comunicar com alguém distante. No passado, quem empenhava a palavra assumia a responsabilidade pelo seu cumprimento, e só admitia-se “falhar” em caso de morte. No presente, o pessoal usa o “eu juro”, contudo quem decide acreditar ou não no juramento é a pessoa que assume os riscos; fácil demais para que jura...
A palavra de honra da pessoa trabalhadora, honesta e íntegra foi roubada. E quem é o ladrão da palavra? Não há um. Existem incontáveis ladrões. Estão toda hora na TV, nos jornais, no rádio, na internet. O pior é que ladrão sempre quer mais! Agora, além da palavra, estão querendo usurpar a atitude.
A boa e firme atitude está desaparecendo do mapa. Duvidam? Então, vou citar alguns exemplos que vão do bizarro ao trivial. Começo por um dos últimos escândalos na esfera política: o do Ministro do Trabalho. Têm foto, filmagem, passagem e testemunhos. Só faltou adicionar “ao vivo”, e eu, telespectadora do Jornal Nacional, assisto o espetáculo de mais um corrupto político, diante de provas incontestáveis, declarar mentiras desavergonhadas e fazer cena novelesca: “Qual é o nome mesmo? Ah, senhores, minha memória também falha!” Paulo Rocha que se cuide! Tão bizarro quanto o fato em si é não ver indignação na cara de ninguém. Parece que há um “buraco negro” capaz de sugar toda a verdade durante as falas de políticos corruptos e criar uma invisibilidade de provas. A cena, nada improvisada, se repete: o ministro faz de conta que não sabe quem é, faz de conta que se lembrou, faz de conta que conhece pouco... No mínimo, essas pessoas desconsideram o valor do tempo de todos à sua volta. Permitir um depoimento tão debochado faz parte de alguma investigação séria? Ou será que é assim mesmo: ele desmente a verdade esfregada, enxaguada e bem passada e os outros fingem que acreditam. Provas de atos desonestos praticados por corruptos são ridicularizadas ou ignoradas com despudor! Estamos vivendo a época da “banalização” de falcatruas políticas!
Permitam-me voltar um pouco no tempo. Lembram da última eleição para presidente? Quantas pessoas argumentaram que tinham medo de votar na Dilma pelo que ela “poderia fazer”? No entanto, Dilma Rousseff que teve um passado de militância e viveu nas terras gaúchas por muito tempo, onde a fibra está na história do povo, decide o que? No caso do nosso Ministro do Trabalho, a Exma. Sra. Presidenta conclui que vai aguardar mais um pouco, afinal, em breve, terá que anunciar mudanças em outros ministérios! Quanto ao PDT, apesar das denúncias, grande parte do partido apoia a permanência do ministro em seu cargo, inclusive o presidente do partido, deputado André Figueiredo. Que tal verificar quem do PDT se posicionou contra?
Então, vocês duvidam que estejam roubando a atitude?
Vamos partir para o trivial... Experimente ter uma atitude de indignação diante de uma injustiça, ou tente reivindicar por um direito seu de consumidor, ou reclame porque você não está sendo bem atendido, ou demonstre que você percebe que por detrás de uma atitude “aparentemente” inofensiva, a pessoa está objetivando prejudicar você e veja o que acontece. Pessoas com atitude são avaliadas como mal educadas, ou chatas, ou encrenqueiras. E não estou me referindo à atitudes desregradas e violentas. Estou falando sobre a atitude que é você dizer o que pensa e defender os seus direitos. Está sendo cultivada a “bobotização”. Ser educado é “ser bobo"; é assistir uma pessoa fazer algo que lesa, desrespeita você e “fingir” que não está percebendo. Você finge ser “bobo”, e permite que ela acredite ser esperta. Só que todo padrão de comportamento repetitivo acaba se enraizando, ou seja, depois de algum tempo, com certeza você “estará” bobo e ela “estará” esperta. É esse o comportamento que a mídia está cultivando ao longo dos anos. Gente que admiro defende isso com as mais belas desculpas: é preciso economizar tempo, estresse, viver com serenidade. Concordo, porém desde quando falar o que se pensa faz mal para saúde? O que faz mal é engolir “sapos”. Engolir “sapos” pode ser a causa de diversas dores, dá constipação, dá bolo na garganta, dá insônia... É lógico que você não vai perder seu tempo com algo sem importância ou com alguém que não faz a mínima diferença na sua vida, mas abrir mão do que é direito seu vai contribuir para o que ou para quem? Esta semana ouvi uma apresentadora falar a seguinte frase: “Eu quero é ser feliz, não me importa ter razão!” Eu discordo. Consigo sentir alegria com muitos acontecimentos no meu dia-a-dia. sem precisar me alienar para ser feliz. Quero é ser cada vez mais feliz, porque mais sensível , mais verdadeira, mais realizada eu sou! Não consigo compreender que alguém precise se anular ou mentir para ser feliz. Graças a Deus, meus neurônios funcionam muito bem, então, ofereço à pessoas “espertas” o que penso, sem perda de tempo e sem estresse, afinal a gente deve comprar nas lojas que nos atendem bem, deve frequentar lugares que nos causam bem estar, ter como amigos as pessoas que nos querem bem, namorar quem nos faz bem... Isto é básico ou não é?
Estimulada pela indignação que me causou os teatros apresentados pelo telejornal assistido nesses últimos dias, dedilho meu teclado, ainda dona da minha palavra e querem saber? Com muita alegria, porque escrever é vibrante tal como tomar banho de cachoeira- lava o corpo e perfuma a alma!

(autora: Cris Lopes)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Flores


(Andrade- Campo de flores)
Eu valorizo o que a vida me dá,e o que ela me subtrai, encaro como a devolução de um empréstimo! Seja como for, eu teimo em ser feliz! E o que as pessoas chamam de ser feliz por nada, na verdade, depois de se alcançar uma certa maturidade, a gente percebe que é ser feliz por tudo. Por tudo que existe de maravilhoso na nossa vida e, que muitas vezes, deixamos passar despercebido: a roseira que oferece,generosa,lindas flores; um beijo roubado num momento envergonhado; o sol que brilha logo cedinho; a amiga emprestando aquele gel ótimo para dor; o cheirinho de terra antes da chuva cair e assanhar as árvores; a filha que fala o quanto ama você; comer abacaxi quando está docinho ou limonada suiça com bastante gelo; dançar "aquela" música que nem doida...Eu podia enumerar tantas outras oportunidades que nossos sentidos nos presenteiam, no entanto, finalizo, dizendo só mais uma frase para vocês- é muito bom despertar!
(autora: Cris Lopes)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Água


Água,
Fluida escoa,
Transporta,
Umedece,
Penetra a terra,
Fecunda.
Floresce bosques,
Evapora;
Sobe e Desce;
Vira chuva,
Enriquece.
Envolve,
Protege.
A bolsa explode,
Anuncia a vida.
Oferece o peito.
Nutre.
Conduz pelo leito,
Rios,
Caminhos de filho.
Chora quem pode,
Quem tem água,
Quem tem vida!
Água recolhida:
Estertores,
Sibilos,
Asfixia.
A vida quando resseca,
Seca, a vida é morte!
É vaso vazio
De raiz enterrada,
Esquecida no tempo
Sem nada!
(autora: Cris Lopes)

domingo, 11 de setembro de 2011

Meu nome não é Madalena


Foto do acervo pessoal. Turquia.
A Teoria e a prática são complementares e ótimas aliadas, mas infelizmente, na grande maioria das vezes, não são bem aproveitadas. Racionalizar, questionar, pensar, refletir, duvidar são processos enriquecedores quando permitem mergulhar no nosso lado sombrio. Só através desse mergulho que adquirimos o conhecimento do “eu profundo” que habita em cada um de nós. E, que isento de hipocrisia, de máscaras, de ilusões, nos abre espaço para o amor. O amor mais importante de nossa vida que, se escolhido, nos acompanhará desinteressada e incondicionalmente, e que é o auto-amor. É ele que permite, ao colocar do avesso a nossa nudez, exibir-nos as vísceras de nossas entranhas mais escondidas. É ele que permite sermos generosos com nossa condição de pequenos aprendizes transcendentais e bondosos com nossos erros. E, assim, sem medos e sem culpas, nos acolhe, nos protege, nos acalenta e nos renova o desejo de sermos a melhor versão de nós mesmos. A perfeição dos outros, que ainda não cabe em mim, emociona-me, encanta-me e, com certeza, é fonte de estímulo e admiração. No entanto, quero estar ao meu lado no último suspiro desta minha existência...Quero ter a consciência plena de ter realizado na prática o que a minha inteligência foi capaz de teorizar, sem ter jogado no lixo, ou para debaixo do tapete, ou “quiçá” no terreno do vizinho nenhum tantinho, nenhum caquinho, nenhuma poeirinha de mim, porque tive a coragem de aprender com uma vida de verdade!!! Sei que se um dia representar só me convém o palco! Meu nome é Cristina e esta sou eu que conheço muito bem...
(autora: Cris Lopes)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Que país é esse?

O que eu estou pensando agora? Numa juíza que "realmente" fazia o trabalho dela e, por isso não foi só assassinada, foi "FUZILADA"; numa deputada federal sem escrúpulos que ganha o direito de permanecer no cargo pela votação da maioria dos seus "colegas", depois que seu advogado alega que se houver afastamento pelo que ela fez antes da posse , isso vai abrir um precedente para qualquer outro deputado ser investigado e punido.
Duas mulheres, com trajetórias de vida bem diferentes.Quem levou a melhor? O exemplo de uma me emociona, me dá orgulho de ser mulher, de ser uma pessoa ética, honesta, enquanto a outra me envergonha, no entanto as duas provocam-me revolta, revolta da impunidade.Impunidade para quem extermina o bem, impunidade para quem faz o mal... Sim, tenho vergonha nessas horas pelos outros. Tenho vergonha pelo jornalista que anuncia a votação da maioria desavergonhada e acaba a notícia dizendo: isso não quer dizer que ela não vá responder pelo que fez diante da justiça. Justiça comum? E, eu me pergunto, e daí? E DAÍ??? Como se isso pudesse apagar o fato de que a maioria presente numa votação dessa importância, eleita por nós para representar e defender "teoricamente" o nosso direito, faz isso!!! Sim, nessas horas sinto muita vergonha, vergonha de ser brasileira! Há uma música que fez parte da trilha sonora de novelas, e já virou tema da maioria dos políticos brasileiros: Nas favelas, no senado, sujeira pra todo lado. Ninguém respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação. Que país é esse? Que país é esse? Que país é esse?
Falando em constituição... Há alguns dias "crianças" foram presas roubando, destruindo, ameaçando funcionários de um hotel. Levadas para a delegacia, alegaram ter menos de 12 anos. Chamaram o Conselho Tutelar. No Conselho, quebraram, destruíram tudo de novo... De volta para a delegacia: desafiaram, provocaram os policiais."Estão protegidas porque são crianças!!!" Entra todo mundo para justificar o fato de uma "criança" ser transformada em "bandido". “Ops...Criança brinca!!!". Tenho uma opinião muito clara sobre isso: a sociedade não determina a índole, a essência de ninguém. Se fosse assim não existia doutor filho de bandido, nem bandido filho de doutor. Ela favorece ou desfavorece; facilita ou dificulta as circunstâncias, mas vou deixar o que penso a esse respeito de lado, porque isso dá um outro texto. Enquanto isso, quem paga a conta? Quem já paga tudo!!! Eu, você, nós que trabalhamos muito e deixamos ao menos 30 a 40% para o país sob a forma de impostos!!! Querem "curar" isso? Então, que criem megas estruturas nas capitais como centros de reabilitação para menores infratores. Sim, que sirvam de referência/ direcionamento para os estados. Por que não? Quantos estádios de futebol tem espalhados pelo Brasil? Centros que ofereçam formação educacional/ oficinas profissionalizantes; assistência psicológica/ médica/ odontológica; comida e atividades esportivas. Não há verba para tanto? Então, que façam parceria com grandes empresários através de incentivo fiscal, mas não! Vivemos de hipocrisia! E, somos obrigados a presenciar, engolir coisas absurdas o tempo todo!!! Falta liderança? Falta organização? Falta educação? Falta coragem? Falta vergonha na cara? Estou recordando outra música: "Inúteu"! A gente somos "inúteu"!"Inúteu"!A gente somos "inúteu"!
(autora: Cris Lopes)

sábado, 2 de julho de 2011

Imperfeita


Deus é perfeito; eu não sou. Ele sabe e eu também.
A imperfeição oferece liberdade ao exercício do meu ser e faz de mim uma criança.
Sorrio, desejo, embirro, zango, choro, danço, canto, acerto, erro e até falo sozinha...
Muitas vezes provoco desordem a casa com uma bagunça bendita que sacode a poeira e coloca para fora coisas escondidas.
Tem gente que se aproveita da confusão: acha, limpa, usa o que serve ou descarta, despacha o que não presta no lixo!
No entanto, tem gente que detesta bagunça. Pessoas assim não me querem de volta nem pulando amarelinha nos fundos do quintal do vizinho.
Preferem o tapete no lugar cheio de sujeira por debaixo; a cozinha limpinha com o fogão tampado e coberto pela toalhinha; a mesa de jantar vazia de pratos e copos degustados;
a cama de lençóis bem passados, esticados sem marcas de abraços.
Gente assim não gosta de criança levada que sabe brincar de verdade!
Prefere miniatura de adulto robotizado!
Cria uma expectativa de mesmice exagerada, como se alguma inovação, sopro de evolução ou alegria imensa pudesse sobrevir de algo que só é copiado infinitamente...
Confunde harmonia com monotonia; organização com inflexibilidade; omissão com boa educação, sossego com falta de criatividade!
E é por isso que sou inquieta, mutável, questionadora e sigo ao lado de crianças tão ou mais levadas do que eu pelo simples prazer,
Prazer de criar, inventar, descobrir, desmontar, destruir, perguntar, reconstruir e rir.
Se houver necessidade, discutimos, batemos bocas, ficamos suados, e até descabelados,
Mas acrescentamos daqui, subtraímos dali e o resultado final dá certo.
Eu e meus amigos somos todos diferentes,
E temos algo em comum: adoramos ser assim!
(autora: Cris Lopes)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Homem dormindo


Lembranças chuleiam as alegrias puídas do nosso amor.
Recordo a cama tão pequena, o quarto tão pequeno, o mundo tão pequeno.
Pernas e promessas entrelaçadas
À bendita desordem de nossas bocas e braços.
Ancas confrontadas,
Em gozos, confortadas...
E nós dinamizados, transbordantes,
Tão aliados e tão amantes,
Apostando em tudo,
Jurando verdades,
Mentiras distantes...

Ah, se algum vidente tivesse me avisado,
Como enganaria o tempo para perpetuar nossas entregas?
Talvez ousasse o meu sorriso mais bonito,
Despisse a minha roupa preferida
E fugisse acenando meus cabelos ao vento,
Sem volta,
Sem revolta,
Sem olhar para trás,
Solta,
Numa corrida enlouquecida.

Assim, como tudo o que vive por miúdo tempo,
Deixaria uma saudade imensa,
Desconfortante,
Movediça.
Desconcertante,
E jamais seria esquecida...
(autora: Cris Lopes)

sábado, 11 de junho de 2011

Avesso



Amanheço com sabor de menta e café;
Adormeço com cheiro de camomila e malva.
Há muito aprendi o prazer dos gostos simples,
A sedução dos cheiros naturais,
Degustar a vida em canecas fumegantes:
Cascas de laranjas, calda de ameixas, cravos e canela.
Acariciar a terra com olhares e dedos.
Plantar, replantar...
Debulhar segredos,
Dedilhar o sol pelas frestas da janela,
Descortinar cores e flores.
Saber do tempo que o ar anuncia,
Vibrante movimento,
Seguir como as velas,
Entregues ao vento...

Sorrisos e Portas.
Mãos e Camas.
Pernas e Fugas.

A beleza de flor
A rosa revela
Do avesso...

Já deixei roupas sem amasso,
Arranquei roupas ao acaso.
Vestida ou nua,
Amada ou amordaçada tantas vezes
Pelos egoístas e mentirosos em seus currais,
Sou eu, livre, que danço a música dos temporais.
Sou eu, sozinha, que rodopio com a chuva no quintal...
Trovões:
Saravada,
Sacudo maldições.
Sou eu que cuspo na cara do mal,
Vitória decretada!
Vivo minhas histórias,
Abandono o que não mereço.
Sem olhar para trás,
Despasso,
Despacho,
Desfaço
E do avesso, amanheço.
Amanheço do avesso:
Frases,
Faces,
Fases,
Sempre mulher
Sou eu...
(autora: Cris Lopes)

Ser Ator


(Passeio de Marc Chagall)

Se viver é amar,
Ser ator é ganhar vidas,
Vidas emprestadas,
Que desejam ser contadas;
Histórias veladas,
Reais ou inventadas,
Desnudadas mesclam
Mentiras e liras.

Ser ator é apropriar-se sem rodeios,
Improvisar ou seguir roteiros,
Sacudir, revelar, bagunçar
Emoções escondidas,
Guardadas, esquecidas...

Ser ator é dar vida
À vidas não escolhidas:
Vidas alegres,
Vidas doídas!

O talento, se verdadeiro,
O dom vibra,
Flui por fibra.
Requer coragem,
Sedução,
Memória,
Disciplina,
Malandragem...

Ser ator é se entregar por inteiro:
Possuído ou
Conquistado.
Ser herói ou bandido,
Amado ou traído,
Eternizado ou esquecido.
Pobre ou rico há de brilhar
E ser intenso- calmo ou tenso.
Provocar sorrisos ou prantos.
Iludir, seduzir com seus encantos.
E a magia,
A veia de representar é como a da vida:
Desponta,
Desaponta,
Transborda,
Transforma,
Sem limites, convida...
(autora: Cris Lopes)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Impactos


Vi um cachorro correndo.
Vi um cachorro correndo atrás de outro cachorro.
Vi um cachorro pequeno correndo.
Vi um cachorro grande correndo atrás de outro cachorro pequeno.
Vi um cachorro pequeno correndo e passando por debaixo de um banco.
Vi um cachorro grande correndo atrás de outro cachorro pequeno e não conseguindo passar por debaixo de um banco.
Vi um cachorro grande uivando de dor.
Vi um cachorro pequeno voltando.
Vi um cachorro pequeno voltando e lambendo as costas de um cachorro grande uivando de dor.
Coitado...

Vi três homens gargalhando.
Vi três homens gargalhando muito de um cachorro grande uivando de dor.

Vi um bicho que fugia de outro voltar para socorrê-lo...
Vi três animais gargalhando sobre duas patas...

Queria só ter visto os bichos...
(autora: Cris Lopes)

sábado, 30 de abril de 2011

A Carruagem do Viajante


(Príncipe de Paus- Tarô de Crowley)

Dizem por aí
Que amor é a chave da felicidade.
Tem gente que duvida.
Acredita que dinheiro
É o que dá alegria à vida.
Outros acrescentam que é a fé.
Ela sim faz a roda girar menos doída,
Mais colorida,
Mais bonita!

Quem escolhe sonhar?
Quem pode comprar?
Quem se lembra de rezar?

Vai, vai, vai,
Vai pra onde?

Dizem por aí
Que o povo do poder
Troca dignidade por oportunidade.
Maldade?
Quem rouba pela ganância,
Não teve mãe,
Perdeu a infância?
Vomita arrogância,
Queima,
Enterra jornalista!
Aparece em capa de revista
Chamado de bandido,
Vigarista!
Não tem problema:
Há de se eleger novamente.
Duvida?
Barriga vazia tem vista fraca,
A cabeça é oca, a memória falha!


Penso, logo existo.
Quem existe tem mente?
Quando mente, sente?
Quando sente, mente?

Vai, vai, vai,
Vai por quê?

Dizem por aí
Tanta coisa,
Que por aqui
Sempre acolhi a liberdade.
Quem me conhece, sabe.
Gosto de dizer o que penso,
Vibrar o que sinto,
Verter desejos.

Ah, o desejo...
O meu desejo,
O teu desejo,
O nosso desejo,
O desapego,
O que permanece,
Adormece...

Entre um prazer e outro,
Fui arrancando cascas,
Experimentando frutas.
Se gostava,
Chupava até o bagaço
E cuspia as sementes.
Assim, assim,
Cuspindo sementes,
Descobri
O que dá sabor,
O que dá cheiro
Às frutas que comia...

Dizem por aí
Que o “Segredo” é valioso.
Eu, por aqui, contemplo o desejo.
Interessam-me as diferenças,
No entanto,
Há algo único
Que antecede o desejo.
Aponta o caminho,
Escolhe o alvo.
E, tal como flecha,
Lança,
Impulsiona,
Atinge,
Fere,
Derruba,
Machuca...

Dizem por aí
Que existem homens estranhos.
Desprezam a própria conveniência.
Alguns acolhidos,
Escolhidos,
São chamados de santos;
Outros, ignorados,
Desprezados,
São recolhidos
Como loucos!

Tudo muito conveniente!
(autora: Cris Lopes)